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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Paganismo x Cristianismo


As religiões que tinham como base a crença na Grande Deusa reinaram até que as religiões abramicas (Islamismo, Cristianismo, Judaísmo) a suplantassem. Com a expansão do Cristianismo, a religião da Grande Mãe, pagã - que no sentido original da palavra refere-se a religiãorpaticada nos campos; foi sendo destruída. 
Durante a Idade Média , a Igreja Católica passou a considerar os rituais praticados na Antiga Religião como bruxaria, coisa do demônio, na tentativa de impor a crença num único Deus, poderoso, masculiono e que punia e castigava aqueles que não obedeciam seus ritos e ensinamentos. 
A Igreja utilizou-se de guerra psicológica, torturas e campanhas militares para alcançar seus objetivos. Criou a Inquisição para perseguir e punir todos aqueles que não professassem a fé católica. O clero utilizando-se do poder adquirido como representante do Deus Uno, exigia do povo tudo o desejava, principalmente bens materiais e sustentava assim um luixo inacessível ao povo que vivia nas cercanias dos feudos e igrejas. 
Muitas das crenças do paganismo foram incorporaradas aos rituais cristãos, fossem pro tentativas de manter vivos os antigos cultos pagãs, sem correr o risco de acabar na fogueira ou fosse pela inteligência dos padres e sacerdotes q busvam manter o rebanho dentro dos templos utilizando padrões e rituais com os quais as populações já estavama acostumadas, e sem contar que muitas igrejas ocupavam áreas que anteriormente eram templos pagãos. 
A Igreja Católica transformou o paganismo em sinônimo de satanismo. Magos, sacerdotes e sacerdotisas das diversas tradições pagãs foram reprimidos no mundo ocidental, fosse pela força da lei ou das perseguições histéricas dos convertidos ao cristianismo. 
Do século XV ao XVII milhares de processos sob a tutela da Inquisição percorreram tribunais eclesiásticos e civis por otda Europa e até no Novo Mundo. Pessoas foram torturadas, executadas em fogueiras, afogadas, tiveram membros arrancados e por qualquer razão, desde um tempero até disputas entre viszinhos levaram pessoas a serem consideradas como discípulos do Diabo. Todo conhecimento que fosse suspeito aos olhos da Igreja era motivo de perseguição. 
O período chamado “Caça às Bruxas”, é considerado hoje como um período negro na história da humanidade. Uma simples suspeita era motivo para a execução. As mulheres eram as maiores vítimas. As antigas parteiras e curadoras, que através de suas tradições sabiam lidar com as ervas e com a natureza eram vistas como seguidoras do diabo e em outras ociasões o sadismo e interesses escusos dos acusadores podiam ter um viés que ultrapassava o zelo religioso contra as sacerdotisas do "diabo”. 
Sem contar que muitas vítimas da Inquisição não eram praticantes do Paganismo, e sim pessoas com problemas mentais e físicos, ou adeptos de outras religiões tradicionais ( mulçumanos, judeus). E grande parte da riqueza atual da Igreja Católica foi construída nesse período, pois todos os bens dos acusados eram confiscados pela Igreja, o que tornou a chamada Santa Inquisição, um grande investimento.
(Texto adaptado do livro A MAGIA E A SABEDORIA DOS POVOS CELTAS, editora Berkana, de Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa)


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Justiça Divina


O homem costuma avaliar os acontecimentos da vida como castigos divinos. A maioria das pessoas acredita que o ser humano é pecador, e que seus pecados redundam em castigos por parte de Deus.
Essa maneira de pensar foi herdada da maneira equivocada de como as religiões abordam o assunto. A interpretação bíblica do paraíso perdido, do pecado cometido por Adão e Eva, da influência da cobra e da expulsão do casal do Eden e sua conseqüente vida de trabalho, considerando-se como um mal o suor do homem na busca de seu sustento, criou nas pessoas a falsa idéia de que o homem tem que sofrer e que ele é um pecador que deve ser punido pelo seu pecado.
Outra conseqüência desse erro é se acreditar que Deus é cruel e vingativo, e que Ele castiga aos seus filhos. E erro maior ainda é o de se considerar esse castigo eterno em local destinado ao suplício dos pecadores, por toda a eternidade.
O Espiritismo nos dá uma outra visão. O homem não é um pecador, é um espírito criado simples e ignorante, destinado a alcançar, por seu próprio esforço, a plenitude, a perfeição, a felicidade. Deus criou a todos iguais, sem privilégios para ninguém, e dotou o homem do livre-arbítrio para que cada um possa caminhar com inteira liberdade de ação e aprender com o próprio erro. Estabeleceu normas e bases corretas, e uma lei de reajuste automático denominada Lei de Causa e Efeito.
A Lei de Causa e Efeito é complemento necessário à Lei de Justiça, de Amor e de Caridade. Por ela o homem vai se depurando, evoluindo, corrigindo os erros, até conseguir, mercê de seu próprio esforço, alcançar a perfeição e a conseqüente felicidade.
A Lei de Causa e Efeito é também chamada Lei de Ação e de Reação. É uma lei automática, ou seja, já tem embutida em si mesma os efeitos decorrentes de nossos atos. Atos bons trazem como conseqüência efeitos bons. Atos maus, efeitos maus. Assim, quem planta ventos colhe tempestades. Quem planta amor colhe amor. A semeadura é livre, a colheita é obrigatória. Todos, absolutamente todos, colherão sempre apenas e tão somente o que plantarem. Ninguém poderá colher maçãs se plantou bananas.
O homem, no início simples e ignorante, vai agindo e ampliando o seu livre-arbítrio à medida que evolui e adquire mais conhecimentos. Ele erra, porque não conhece. Com as conseqüências de seu erro, ele aprende, e quando aprende não erra mais.
Há uma diferença fundamental entre o erro e o pecado. Erro é conseqüência de desconhecimento, de imaturidade, de falta de calma, de falta de melhor estrutura. É o caso das crianças, que em sua aprendizagem sofrem muitas vezes efeitos de seus atos imaturos e imprecisos, até que, já adultos, sorriem ao verificar quanta coisa tiveram de passar por sua própria culpa. Muita gente costuma dizer: "se eu tivesse, quando mais moço, a experiência que tenho hoje, como as coisas teriam sido diferentes."
Pecado, segundo o Dicionário Caldas Aulete, é a transgressão de uma lei religiosa ou dos preceitos da Igreja. Segundo o mesmo dicionário, todos nós que somos espíritas e que não seguimos os preceitos da Igreja e suas leis, somos pecadores.
Para nós, Deus é a suprema perfeição, causa primária de todas as coisas. Deus é infinitamente bom e justo e não castiga os seus filhos, que não pediram para ser criados e se são ainda imperfeitos e cheios de falhas e erros, são porque foram feitos assim por Ele.
Deus nos criou para a felicidade, não para o sofrimento. É um erro supor que a Terra será sempre um vale de lágrimas. Ela, hoje, ainda planeta de expiação e de provas, abriga em seu seio espíritos muito imperfeitos, e a situação caótica do mundo nada mais é que a colheita coletiva que estamos fazendo dos atos repletos de egoísmo e de desamor que temos feito ao longo de nossa grande caminhada pela fieira das reencarnações. Mas um dia, com toda a certeza, aprenderemos com os nossos próprios erros, e colocaremos em nossos corações o evangelho de Jesus. Aprendendo a nos amar, e colocando esse amor na frente de todos os nossos atos, mudaremos o mundo e construiremos aqui na Terra um planeta maravilhoso, habitável, fraterno, saudável e feliz. Somos os construtores de nosso destino. Por enquanto, é um destino muito feio, calcado no egoísmo, no orgulho, na prepotência. Mas as conseqüências de nossos erros guardam em si mesmos o remédio para nossos males, e nos impulsionam a mudar, a modificar nossa vida, nossos hábitos, nosso modo de agir.

Um velho carpinteiro estava para se aposentar. Contou a seu chefe os planos de largar o serviço de carpintaria e de construção de casas para viver uma vida mais calma com sua família. Claro que sentiria falta do pagamento mensal, mas necessitava da aposentadoria.

O dono da empresa sentiu em saber que perderia um de seus melhores empregados e pediu a ele que construísse uma última casa como um favor especial.

O carpinteiro consentiu, mas, com o tempo, era fácil ver que seus pensamentos e seu coração não estavam no trabalho. Ele não se empenhou no serviço e utilizou mão de obra e matérias primas de qualidade inferior.

Foi uma maneira lamentável de encerrar sua carreira.

Quando o carpinteiro terminou o trabalho, o construtor veio inspecionar a casa e entregou a chave da porta ao carpinteiro:

"Esta é a sua casa", ele disse, "meu presente para você."

Que choque! Que vergonha! Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito completamente diferente, não teria sido tão relaxado. Agora iria morar numa casa feita de qualquer maneira. Assim acontece conosco. Construímos nossas vidas de maneira distraída, reagindo mais que agindo, desejando colocar menos do que o melhor. Nos assuntos importantes não empenhamos nosso melhor esforço. Então, em choque, olhamos para a situação que criamos e vemos que estamos morando na casa que construímos. Se soubéssemos disso, teríamos feito diferente. Pense em você como o carpinteiro. Pense sobre sua casa. Cada dia você martela um prego novo, coloca uma armação ou levanta uma parede. Construa sabiamente. É a única vida que você construirá. Mesmo que tenha somente mais um dia de vida, esse dia merece ser vivido graciosamente e com dignidade. Na placa na parede está escrito:

"A vida é um projeto “faça você mesmo."

Quem poderia dizer isso mais claramente?

Sua vida de hoje é o resultado de suas atitudes e escolhas feitas no passado.

Sua vida de amanhã será o resultado das atitudes e escolhas que fizer hoje."

O episódio acima nos dá a idéia exata de que a justiça divina, que, como diz o povo, não falha, é centrada em nossos próprios atos. Nós plantamos, e nós colhemos. Deus não irá nos castigar porque erramos. Nós sim, colhendo o resultado do que plantamos, vamos nos melhorando, nos aperfeiçoando, até podermos alcançar nosso objetivo, que é a felicidade e a perfeição.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 361 de Fevereiro de 2001)

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/correio-fraterno/justica-divina.html